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taVNS para dor crônica: mecanismos e aplicação clínica

Dr. Filipe dos Santos9 min de leitura

A dor crônica é um dos campos onde a taVNS mais tem crescido. Por atuar sobre vias autonômicas, inflamatórias e centrais de modulação da dor, a estimulação transcutânea do nervo vago auricular vem sendo investigada como adjuvante em dor musculoesquelética, fibromialgia, cefaleias e quadros neuropáticos.

Mecanismos: por que faz sentido usar taVNS na dor

O nervo vago carrega fibras aferentes que se projetam para o núcleo do trato solitário e, dali, para o locus coeruleus, núcleo da rafe e áreas límbicas. Esse circuito modula vias descendentes de controle da dor (noradrenérgicas e serotoninérgicas) e participa do reflexo anti-inflamatório colinérgico, reduzindo citocinas pró-inflamatórias como TNF-α e IL-6.

O que a literatura mostra

Estudos clínicos e pré-clínicos descrevem efeitos da taVNS em:

Parâmetros mais usados

Os protocolos mais frequentes na literatura para dor utilizam frequência entre 20 e 25 Hz, largura de pulso de 200 a 500 µs, intensidade ajustada ao limiar sensorial (sem desconforto), aplicação no tragus ou cymba conchae da orelha esquerda, sessões de 20 a 60 minutos, com periodicidade variando de diária a 3x por semana.

Como integrar à prática clínica

A taVNS não substitui abordagens consolidadas — exercício, educação em dor, fisioterapia, intervenções farmacológicas e psicoterapia. Ela entra como mais uma camada de modulação, especialmente útil em pacientes com hiperatividade simpática, baixa HRV e componente inflamatório de baixo grau.

Quando evitar

Marca-passo ou desfibrilador implantado, lesões locais na orelha, gestação (uso cauteloso e individualizado) e epilepsia não controlada são contextos que exigem avaliação criteriosa antes de indicar a técnica.

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