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taVNS no AVC e reabilitação neurológica

Dr. Filipe dos Santos10 min de leitura

Pareamento de estimulação vagal com terapia motora é uma das frentes de pesquisa mais ativas em reabilitação pós-AVC. A taVNS — versão não invasiva e auricular dessa estimulação — vem sendo estudada como ferramenta para potencializar neuroplasticidade e ganhos funcionais.

A lógica da estimulação vagal pareada

A ativação do nervo vago libera neuromoduladores (noradrenalina, acetilcolina, serotonina) em áreas corticais. Quando essa liberação acontece junto com a execução de uma tarefa motora, cria-se uma janela favorável à plasticidade sináptica — o cérebro 'marca' aquele movimento como relevante e reforça as conexões envolvidas.

Recuperação de membro superior

Ensaios clínicos com VNS implantada (estudo VNS-REHAB) mostraram ganhos significativos de função do membro superior em sobreviventes de AVC crônico, quando comparado a terapia isolada. A taVNS busca reproduzir esse efeito sem cirurgia, com estudos piloto promissores em fases subaguda e crônica.

Disfagia pós-AVC

Por compartilhar vias com a inervação faringolaríngea, a taVNS tem sido investigada em protocolos de reabilitação da deglutição, especialmente em parceria com manobras e exercícios fonoaudiológicos.

Outros usos em neurorreabilitação

Parâmetros típicos em neurorreabilitação

Protocolos costumam usar frequência de 25 a 30 Hz, largura de pulso de 250 a 500 µs, intensidade no limiar sensorial e aplicação pareada à execução da tarefa motora (estimulação ON durante o movimento alvo). A duração da sessão varia conforme objetivo terapêutico.

Por que o raciocínio clínico importa tanto aqui

Em neurorreabilitação, dose, timing e contexto de aplicação determinam o resultado. Aplicar taVNS sem pareamento, em parâmetros aleatórios ou desconectada do objetivo funcional reduz o potencial da técnica. Por isso o curso enfatiza tomada de decisão, não só execução.